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Papa lavou pés a 12 reclusos em celebração de Quinta-feira Santa

Sexta, 19 Abril 2019  vanda de carvalho

O Papa  presidiu esta Quinta-feira à Missa vespertina de Quinta-feira Santa, com o rito de “lava-pés” na prisão ‘de Velletri, Roma, perante detidos, agentes policiais e pessoal civil da instituição.

Francisco lavou, simbolicamente, os pés a 12 reclusos – nove italianos, um brasileiro, um da costa do Marfim e um de Marrocos -, cumprimentando-os um a um, em seguida; vários dos presos não contiveram a emoção.

O pontífice, recebido com aplausos, começou por saudar todos os participantes, agradecendo o acolhimento e uma carta que recebeu de um grupo de presos que não podem estar na Missa.

“Estou muito unido a todos”, disse.

A breve homilia, improvisada, explicou o gesto que o Papa realizou e que se repete nas igrejas católicas de todo o mundo, na celebração que marca o início do Tríduo Pascal.

Jesus, assinalou, tinha “todo o poder”, mas realizou ele próprio o gesto do lava-pés, que era entregue “aos escravos”, aos seus discípulos, para mostrar que todos são “irmãos no serviço”, não na “ambição de quem domina o outro”.

O bispo não é o mais importante, o bispo deve ser o mais servidor. Cada um de nós deve ser servidor do outro, esta é a regra de Jesus”

Após ter sublinhado a necessidade de nunca “humilhar os outros”, Francisco sustentou que todos devem ser “servidores”, apesar dos problemas da vida.

“No nosso coração deve estar sempre este amor de estar ao serviço do outro”, indicou.

O Papa desejou que este gesto do lava-pés inspire todos a “ser mais servidores uns dos outros, mais amigos, mais irmãos”.

No final da Missa, Francisco ouviu queixas dos responsáveis da instituição por causa da “sobrelotação” e da falta de actividades que promovam uma reabilitação efectiva dos reclusos.

Trata-se da quinta vez que o Papa dedica a celebração da tarde de Quinta-feira Santa aos presos, depois de 2018, 2017, 2015 e 2013, tendo lavado os pés a pessoas de várias nacionalidades e confissões religiosas, nessas cerimónias.

Em 2016, o pontífice lavou os pés a refugiados no centro de acolhimento de requerentes de asilo de Castelnuovo di Porto, a cerca de 30 quilómetros a norte do Vaticano, que recebe sobretudo jovens refugiados.

Já em 2014, a cerimónia de Quinta-feira Santa foi no Centro ‘Santa Maria della Providenza’, da Fundação Don Carlo Gnocchi, destinado à reabilitação de pessoas com deficiência e idosos, na periferia de Roma.

A Igreja Católica começa a celebrar o Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor, na qual se repete o gesto do ‘lava-pés’, desde 2016 com mudanças introduzidas pelo Papa que permitem a participação de mulheres.

Francisco decidiu modificar a rubrica do Missal Romano relativa ao lava-pés de Quinta-feira Santa, estabelecendo que a participação no rito não seja limitada só aos homens e rapazes.