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Angola CAN-Orange 2010 um ano depois

Segunda, 10 Janeiro 2011  
canMesmo com o ataque √† delega√ß√£o do Togo na v√©spera da maior festa desportiva em √Āfrica, na prov√≠ncia de Cabinda, sede do Grupo B, a Ta√ßa das Na√ß√Ķes em futebol, disputada em quatro cidades angolanas, foi um √™xito e deixou um legado √†s gera√ß√Ķes futuras, numa altura em que se comemora hoje o primeiro anivers√°rio da estreia do pa√≠s na organiza√ß√£o deste evento.

Muitos sectores como pol√≠tico, desportivo, telecomunica√ß√Ķes, cultura, obras p√ļblicas, sa√ļde, hotelaria e turismo foram mais evidentes os seus ganhos, em fun√ß√£o do interc√Ęmbio entre povos do continente, que transformaram 20 dias de prova (10 a 30 de Janeiro) em momentos precisos e cujo sucesso foi reconhecido pelos participantes.

Por outro lado, a presen√ßa regular antes e durante a Ta√ßa das Na√ß√Ķes do Chefe de Estado, Jos√© Eduardo dos Santos, no acompanhamento das ac√ß√Ķes e jogos impulsionou a campanha de mobiliza√ß√£o dos adeptos, acreditando que Angola era capaz de organizar um CAN exemplar, como foi a bandeira at√© ao fim, al√©m do papel fundamental dos volunt√°rios e outras for√ßas.

Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango foram as cidades escolhidas para receberem as estrelas africanas, cujas selec√ß√Ķes garantiram presen√ßa na discuss√£o do trof√©u.

Sem √Āfrica do Sul, √ļnica equipa que j√° conquistou o t√≠tulo entre as forma√ß√Ķes da zona Austral, Angola e Z√Ęmbia procuravam honrar a regi√£o e at√© estiveram quase l√°, j√° que ambas ficaram nos quartos-de-final.

Se competitivamente os Palancas Negras não conseguiram melhorar a posição da edição anterior em 2008, no Ghana, desportivamente o país ganhou muito mais. Herdou infra-estruturas de nível internacional, nomeadamente hospitais equipados, hotéis, estradas e sobretudo quatro novos estádios, construídos nas cidades-sede.

Na memória dos angolanos, muitos dos quais conseguiram o primeiro emprego e outros
estrearam-se como volunt√°rios, ainda est√£o patentes os momentos vividos antes, durante e depois do CAN2010. A troca de experi√™ncia entre v√°rios povos do continente e do mundo, em face da disputa tamb√©m na √Āfrica Austral do Mundial de futebol tamb√©m fizeram furor.

√Āfrica Austral esteve bem representada no CAN caseiro. Al√©m de registos exibicionais de realce e dois quartos-de-final, as selec√ß√Ķes desta parte do continente inclu√≠ram dois futebolistas (os angolanos Fl√°vio e Mabin√°) na equipa dos melhores da 27¬™ edi√ß√£o da prova.

Por causa disso, o CAN-Orange Angola 2010 teve um acompanhamento da media internacional nunca visto em competi√ß√Ķes anteriores. As cidades angolanas centralizavam as aten√ß√Ķes mundiais, n√£o s√≥ pela atitude de irmandade dos anfitri√Ķes mas pela alegria de um povo que estava a mostrar o crescimento de seus habitantes, depois de tr√™s d√©cadas de guerra.

Para os luandenses, o "ponto de encontro" foi o Estádio 11 de Novembro, palco dos jogos da selecção nacional, líder do Grupo A - apesar de ter sido afastada nos quartos-de-final pelo Ghana (0-1, golo de Gyan) - , enquanto no Lubango (Huila) todos se dirigiam à Tundavala e Cabinda festejava os melhores momentos no Chiazi. Ombaka iluminava os caminhos dos benguelenses.

Destaca-se ainda o facto de a Na√ß√£o ter estado unida em torno dos seus principais s√≠mbolos, confirmando que s√£o j√° parte integrante das suas vidas e que n√£o podem ser alterados por raz√Ķes conjunturais.

O querer e a dedicação dos jogadores angolanos, a revelação perante ao mundo da alegria, da simpatia e do civismo do povo, que encheu os estádios e vibrou com intensidade, apoiando não só a selecção nacional mas também os potenciais adversários constituiram uma demonstração do sucesso da prova, ganha pelo Egipto.

Depois do glamour e agitação de há um ano, teme-se agora pelo futuro dos meios deixados. Os estádios têm sido pouco utilizados e apela-se à conservação dos mesmos, embora os de Benguela e Cabinda sejam aproveitados pelas equipas locais. Pelo contrário, o de Luanda está quase abandonado, não tendo movimento desportivo ou de outra índole, e o da Tundavala pode seguir caminho semelhante ao 11 de Novembro.

Enfim, tal como declarou o Presidente da Rep√ļblica, Jos√© Eduardo dos Santos, ap√≥s fecho da prova, a realiza√ß√£o com √™xito do CAN2010 foi a melhor resposta dada pelos angolanos "a quem se dedica a tentar manchar com fins pretensamente pol√≠ticos um evento desportivo de t√£o grande significado e dimens√£o".