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Apoteose em Paris para acolher campeões do mundo

Terça, 17 Julho 2018  vanda de carvalho

Os milhares de adeptos vestiram-se a rigor: bandeiras em forma de capa sobre as costas e bandeiras agitadas no ar, perucas azuis, brancas e vermelhas, chapéus com a forma de galos, camisolas com o nome de diferentes jogadores, com destaque para o nome de Mbappé estampado numa grande maioria.

Entre o público que festeja a vitória da França, ninguém se esquece que foram jogadores, na sua maioria com raízes fora de França, com destaque para África, que conquistaram o troféu mundial na Rússia, os pais de Paul Pogba emigraram da Guiné Conacri para França, o pai de Kylian Mbappé é natural dos Camarões e a mãe da Argélia. Samuel Umtiti nasceu nos Camarões e Blaise Matuidi é filho de mãe e pai angolanos.

Mas também há jogares franceses com raízes não africanas: Antoine Griezmann é filho de pai alemão e de mãe portuguesa.

Imigrantes, filhos e netos de imigrantes formaram um conjunto unido e venceram o Mundial com a camisola da França, cuja selecção para muitos mais parece a uma "ONU em miniatura". Esta segunda-feira (16.07) celebrou-se a festa da diversidade.

Outras selecções têm há muitos anos um cunho multicultural, é certo. Portugal é talvez o exemplo mais antigo. A selecção de Eusébio, já nos anos 60, era uma selecção multiracial, o que na altura nem sempre era bem aceite pelas federações e pelos adeptos rivais de outros países europeus.

Mas esses tempos passaram e outras selecções europeias se seguiram, como a Grã Bretanha, a Holanda, a Bélgica e a própria Suíça, que abriram as portas a jogadores imigrantes e descendentes de imigrantes, reflectindo assim a realidade das sociedades em que se inserem.

A "escolha difícil" de Blaise Matuidi

O franco-angolano Blaise Matuidi foi abordado há anos pela Federação Angolana de Futebol e poderia muito bem ter escolhido representar a terra natal dos seu país. O futebolista da Juventus, de Itália, conta que teve de fazer uma "escolha difícil" quando optou por defender as cores da equipa azul, em detrimento dos Palancas Negras.

"Na altura tive de fazer uma escolha difícil ao optar pela equipa francesa", justificou Matuidi. "No meu coração moram os dois países. Eu represento tanto a França, como Angola", diz. Matuidi é filho de angolanos: a mãe é natural da província do Uíge e o pai de Luanda.

O jogador deu os primeiros passos no futebol em França. Muito jovem começou a sua carreira ao serviço do US Créteil, seguindo depois para o Créteil-Lusitanos, dois clubes com fortes ligações a Portugal.

No entanto, o médio não domina a língua portuguesa, até porque o pai ainda hoje preserva a cultura bantu. A sua família e ele próprio são mais fluentes em lingala, uma das grandes línguas bantus, e também dominam o francês.

Além de Angola, Matuidi tem também especial afecto pela República Democrática do Congo (RDC), país para onde fugiu parte da sua família, no início da década de 80, durante a guerra civil angolana.