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Maduro: "Justiça busca responsáveis pelo golpe"

Quinta, 02 Maio 2019  vanda de carvalho

Líder venezuelano acusa John Bolton e os Estados Unidos de estarem por trás da revolta militar que tentou tirá-lo do poder. Guaidó afirma que continuará libertando presos políticos e anuncia greve escalonada.O presidente Nicolás Maduro disse nesta quarta-feira (1º/05) que a Justiça está em busca dos responsáveis pela revolta militar que foi contida na terça-feira pelo governo, e que estes, "mais cedo ou mais tarde", pagarão com a prisão pelo crime de traição.

"Estão fugindo de embaixada em embaixada", disse Maduro diante de milhares de simpatizantes, que se reuniram nos arredores do Palácio Presidencial de Miraflores para celebrar o Primeiro de Maio, em referência ao líder opositor Leopoldo López, a quem não mencionou directamente.

"A Justiça está em busca dos responsáveis e, mais cedo ou mais tarde, eles pagarão com prisão por sua traição e seus crimes", acrescentou o presidente. "Aqui não são as balas nem os fuzis que vão impor um presidente marionete em Miraflores, é absolutamente inviável", afirmou Maduro. "Nos próximos dias mostrarei todas as provas de quem conspirou e como conspirou para que o povo saiba quem são os traidores e que a Justiça faça a sua parte", acrescentou.

López burlou a pena de quase 14 anos que cumpria em seu domicílio e acompanhou o presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, que é reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, em seu discurso aos militares, no qual pediu que se voltassem contra Maduro.

Durante a manhã de quarta-feira, o opositor compareceu em várias concentrações da oposição no leste de Caracas e depois se refugiou na residência do embaixador da Espanha em Caracas, Jesús Silva. As palavras de Maduro também faziam alusão a Guaidó, que liderou as manifestações da oposição em Caracas e cujo paradeiro é desconhecido.

A Justiça venezuelana já tem duas linhas de investigação contra o líder do Parlamento: uma por ter proclamado um governo interino e outra pelos apagões que deixaram quase todo o país paralisado e às escuras em Março passado.

Maduro também acusou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, de ter conduzido pessoalmente a revolta de uns 20 militares, que classificou de "escaramuça golpista". "Assim denuncio e peço que se averiguam nos Estados Unidos as acções ilegais e golpistas de John Bolton contra a democracia venezuelana", disse Maduro.

Guaidó disse nesta quarta-feira que continuará libertando os presos políticos, depois que intercedeu pela libertação de López. "Vamos seguir libertando os presos políticos, (como) Juan Requesens, Gilber Caro", afirmou o líder opositor diante de centenas de simpatizantes no leste de Caracas próximo a Petare, a maior favela do país.

"Estamos mais fortes, mais determinados", insistiu o deputado, que recebeu apoio nas ruas depois da revolta militar fracassada que liderou na terça-feira ao lado de alguns militares.

Guaidó afirmou que López, que cumpria em casa uma pena de quase 14 anos de prisão, foi libertado por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) que cumpriram sua ordem de presidente interino, depois que ofereceu a eles "amnistia e garantia de indultos".