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Bispos pressionam protagonistas da crise para consenso na RDC

Segunda, 26 Dezembro 2016  vanda de carvalho

A tensão caracterizava nesta quinta-feira a conjuntura na República Democrática do Congo, dois dias depois da violência mortífera que marcou o fim do mandato do Presidente Joseph Kabila. A capital, Kinshasa regista uma acalmia, mas incidentes ocorreram nas províncias do referido Estado-continente. Os bispos católicos da Conferência Episcopal Nacional do Congo, mediadores nas discussões entre o poder e a oposição tentam encontrar uma via que desemboque numa saída da crise, após Joseph Kabila ter decidido manter-se no poder até Abril de 2018.

 No poder desde 2001 e após a conclusão do seu segundo mandato presidencial no dia 20 de Dezembro, Joseph Kabila decidiu permanecer no presidência até Abril de 2018, graças à um acordo estabelecido com um sector da oposição. Contestado por outros opositores e por uma parte da população, a decisão de Kabila tem provocado confrontos entre manifestantes e as forças da ordem. Segundo a ONG, Human Rights Watch, pelo menos 34 pessoas foram mortas no decurso dos dois últimos dias em recontros com a polícia e demais forças de segurança . As autoridades congolesas anunciaram que efectuaram 275 prisões em todo o país.

  A Igreja Católica que tem desempenhado um papel importante na abertura democrática da RDC, desde 1990, continua a efectuar uma mediação entre o poder e a oposição. Os bispos católicos da Conferência Episcopal Nacional do Congo(Cenco) apelaram os protagonistas da crise política congolesa para que cheguem à um consenso ,visando preservar a paz civil no país africano. No decurso da sua conferência, os bispos vão apresentar propostas para uma saída de crise. Segundo observadores locais tudo dependerá da capacidade dos bispos em convencer os protagonistas e em particular o poder a fazer concessões. Divergências permanecem entre os opositores e os apoiantes de Joseph Kabila, no respeitante à interpretação da Constituição. Os bispos que exercem pressão sobre os dirigentes congoleses, para evitar uma ruptura definitiva entre os antagonistas e o poder , têm como objectivo concluir um acordo entre ambas partes antes do dia 25 de Dezembro, data em que se celebra o Natal.