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Violência dos grupos radicais islâmicos e surto de Ébola centram atenções da Igreja Católica na RDC

Sexta, 01 Junho 2018  vanda de carvalho

Várias religiosas estão desaparecidas há 10 dias, na República Democrática do Congo, depois de um ataque levado a cabo por rebeldes ugandeses da Frente Democrática Aliada, na região de Mbau, no Kivu Norte.

A informação é avançada pela página online da Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), que realça “desconhecer-se ainda o paradeiro de algumas religiosas que se encontravam no local”.

“Sobre as irmãs não é dada mais nenhuma informação. Desconhece-se quem são e quantas religiosas terão sido eventualmente sequestradas”, pode ler-se.

No mesmo ataque, que teve lugar no dia 20 de Maio, morreram “pelo menos dez pessoas”, com os atacantes a espalharem o terror “saqueando lojas e incendiando veículos”.

A situação de “insegurança” no território tem levado a “uma forte reacção de protesto por parte da população”, diante da “aparente incapacidade das forças de ordem” e dos capacetes azuis da ONU contrariarem a acção dos grupos armados e rebeldes que têm espalhado a violência no território.

Recorde-se que a zona de Kivu Norte e Kivu Sul faz fronteira com nações como o Uganda, o Ruanda, o Burundi e a Tanzânia, países eles próprios a viverem em estado de sobressalto social permanente.

No caso dos rebeldes da Frente Democrática Aliada, eles “têm como objectivo a criação de um ‘estado islâmico’ na região.

“Isso ajuda a compreender como é complexo o problema de segurança que se coloca”, refere a AIS.

De acordo com os últimos dados das Nações Unidas, estima-se que existam actualmente “cerca de cinco milhões de congoleses deslocados e 675 mil refugiados em países vizinhos, vítimas da violência de grupos armados”.

Outra organização, a ‘Human Rights Watch’, salienta que “entre Junho e Novembro de 2017, só na província do Kivu, terão sido assassinados mais de 500 civis, e cerca de mil foram sequestrados”.

Outra preocupação da Igreja Católica naquele país diz respeito a um surto de Ébola que oficialmente já causou “mais de duas dezenas de mortos”, havendo ainda neste momento “mais meia centena de casos confirmados”.

A administração dos sacramentos que envolvam contacto físico com os fiéis, como baptismo, confirmação, unção dos enfermos” assim como “as ordenações programadas para domingo dia 3 de Junho”, foram suspensas.
A epidemia de Ébola teve início a 8 de Maio, em Bikoro, que fica a 600 quilómetros ao norte de Kinshasa, na fronteira com a República do Congo. Em seguida, espalhou-se para a cidade de Mbandaka que tem 1,2 milhões de habitantes.
Um padre católico foi colocado em quarentena, após contaminação em Mbandaka.

Em declarações à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre, o bispo auxiliar de Kinshasa, D. Fridolin Besungu, já frisou que se trata de uma situação “muito preocupante”.

Este surto de Ébola, referiu ainda aquele responsável católico, tem persistido também muito devido à “ignorância” e ao “comportamento irresponsável da população”.

D. Fridolin Ambongo partilha ainda o seu “receio” de que esta epidemia “possa vir a crescer de forma terrível nas próximas semanas, uma vez que se estima que pelo menos outras mil pessoas terão já estado, de alguma forma, em contacto com pacientes ou vítimas da doença.