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Papa recorda vítimas de guerras no mundo durante bênção “Urbi et orbi”

Segunda, 17 Abril 2017  vanda de carvalho

Numa Praça de S. Pedro, hoje mais uma vez repleta de féis e peregrinos provenientes de diversos cantos da Itália e do mundo inteiro, e logo após a celebração da santa missa de solenidade de Páscoa, o Papa Francisco procedeu a comunicação da mensagem e da bênção Urbi et Orbi deste ano 2017.

Queridos irmãos e irmãs,

feliz Páscoa!

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» - «Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, observou Francisco, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-se até à humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: «Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia!» (Missal Romano, IV Domingo de Páscoa, Antífona da Comunhão).

Através dos tempos, recordou o Santo Padre,  o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso –, atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus. Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências graves. Cuida das crianças e adolescentes que se vêem privados da sua vida despreocupada para serem explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa. O Pastor ressuscitado faz-se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Eis então que, nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, Francisco pede ao Senhor ressuscitado para  que guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm,  que o Senhor sustente os esforços de quantos trabalham activamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afectar algumas regiões da África.

Em seguida, Francisco dirige o seu olhar ao seu amado continente, América Latina e pede a Jesus ressuscitado para que sustente os esforços de quantos estão empenhados neste continente, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Finalmente, o Santo Padre dirigiu o seu olhar à quantos sofrem no continente europeu, a começar pelo povo ucraniano: que o Bom Pastor, disse o Papa, ajude a nação ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências. O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias.

Feliz Páscoa!

No final da missa, e depois do anúncio da mensagem urbi et orbi, O Santo Padre dirigiu um especial augúrio di Boa Páscoa aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na celebração: “Caros irmãos e irmãs, o meu augúrio de Boa Páscoa a todos vós aqui congregados e provenientes da Itália e dos diversos países, como também para todos aqueles estão sintonizados através dos vários meios de comunicação social. O anúncio pascal de Cristo Ressuscitado possa revitalizar as esperanças das vossas famílias e das vossas comunidades, em particular das novas gerações, futuro da Igreja e da humanidade.

Um particular agradecimento a todos aqueles que ofereceram e prepararam a decoração das flores, que também neste ano provêem dos Países Baixos. Possais sentir cada dia a presença do Senhor Ressuscitado, e partilhar com os outros, a alegria e a esperança que Ele nos dá. Por favor, não esqueçam de rezar por mim. Boas festas e até breve”!