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Papa Francisco encerra tempo de natal com baptismo de dezenas de crianças

Segunda, 08 Janeiro 2018  vanda de carvalho

O Papa presidiu este Domingo na Capela Sistina, do Vaticano, ao Baptismo de 34 crianças, 18 meninas e 16 meninos, na maioria filhos de funcionários do Vaticano, e pediu que pais e padrinhos lhes ensinem o “dialeto” do amor.

“A transmissão da fé só se pode fazer em dialeto, no dialeto da família, no dialeto do papá e da mamã, do avô e da avó”, declarou.

Francisco, que improvisou a sua homilia, sublinhou que no crescimento da fé destas crianças chegará um tempo para a catequese, com “ideias e explicações”, mas só será possível um verdadeiro desenvolvimento se em casa “os pais falarem o dialeto do amor” e o transmitirem.

Na tradicional Missa da festa do Baptismo do Senhor, que encerra o tempo litúrgico do Natal, o Papa traçou o sinal da cruz na fronte de cada criança, gesto repetido pelos pais e, a pedido do pontífice, pelos irmãos dos meninos e meninas.

“Caros pais, trazeis os vossos filhos ao Baptismo e este é o primeiro passo. Cumpristes a missão da transmissão da fé”, disse.

Francisco insistiu na necessidade de transmitir esta fé “com o dialeto do amor” em cada casa e em cada família.

O Papa gracejou com o choro e o barulho habitual dos bebés, sublinhando que “basta que um dê o tom para que a orquestra prossiga”

“Não nos podemos esquecer desta língua das crianças, que falam como podem. É a língua de que Jesus gosta muito. E, nas vossas orações, sede simples como elas”, recomendou à assembleia.

Esta foi a quinta vez no actual pontificado que Francisco presidiu à Missa na Capela Sistina na festa do Baptismo do Senhor.

À imagem do que aconteceu nas anteriores ocasiões, o Papa teve uma palavra especial para as mães, para deixá-las à vontade caso tivessem necessidade de amamentar os filhos.

“Se eles começarem a chorar, é porque estão com calores ou não estão confortáveis. Se tiverem fome, amamentem-nos sem medo, dêem-lhe de comer, isso também é uma linguagem de amor”, concluiu.

O rito do Baptismo prosseguiu depois da homilia, prolongando-se por vários minutos.

 Após a Missa, o Papa presidiu desde a janela do apartamento pontifício à recitação do ângelus, convidando os peregrinos e visitantes reunidos na Praça de São Pedro a pensar no seu próprio Baptismo.

“A festa do Baptismo de Jesus convida cada cristão a fazer memória do seu próprio Baptismo. Esquecê-lo seria expor-se ao risco de perder a memória do que o Senhor fez por nós”, advertiu.

Como aconteceu noutras ocasiões, o pontífice interrogou os presentes sobre a data do seu Baptismo e convidou todos a procurar conhecer esse dia, para “o ter na memória” como um dia de “festa”.

“É a data do grande perdão. Não se esqueçam”, apelou.

Francisco assinalou que, no Natal, os católicos celebraram a “disponibilidade de Jesus para mergulhar no rio da humanidade”, assumindo as “falhas e fraquezas dos homens”.

No Baptismo de Jesus, observou, surge como protagonista o Espírito Santo, “que transmite a ternura do perdão divino”.

“Graças ao Baptismo somos capazes de perdoar e de amar quem nos ofende e faz mal; conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz vizinho”, acrescentou o Papa.

A intervenção evocou a cerimónia que decorreu na Capela Sistina, invocando sobre todas as crianças recentemente baptizadas “a protecção materna da Mãe de Deus”.

“Desejo a todos um bom domingo e um bom caminho no ano agora iniciado, graças à luz que Jesus nos deu no seu Natal”, disse, ao despedir-se dos peregrinos.