"O novo Pontificado mudou o ambiente da Igreja. Crescem as expectativas", diz Enzo Bianchi

Ter√ßa, 11 Junho 2013  Sammy de Jesus

O fundador e prior da Comunidade italiana de Bose, escritor e te√≥logo Enzo Bianchi, fez uma an√°lise do in√≠cio do pontificado do Papa Francisco. Ele fala das expectativas criadas em torno do novo Papa, especialmente a partir de alguns gestos que demonstram uma nova forma de ‚Äėgovernar a Igreja‚Äô. Segundo ele, 'mudou a atmosfera', 'existe uma nova forma de perceber as coisas‚Äô, fato reconhecido por Bispos, sacerdotes e simples fi√©is. A express√£o 'Papa Francisco' ‚Äútraz uma serenidade e por vezes tamb√©m uma alegria para quem a pronuncia e para quem a escuta‚ÄĚ.

Enzo Bianchi afirma que negar esta mudan√ßa equivale ‚Äúa n√£o querer aderir √† nova realidade que se configurou‚ÄĚ ‚Äď e acrescenta -, ‚Äúalguns temem que afirmar a mudan√ßa e a novidade deste pontificado possa representar uma cr√≠tica ou at√© mesmo um contraponto em rela√ß√£o ao Papa precedente‚ÄĚ. Mas isto, segundo Bianchi, ‚Äú√© um mito existente em rela√ß√£o ao papado, de que este deva ser de uma absoluta continuidade‚ÄĚ. ‚ÄúA continuidade ‚Äď explica Enzo ‚Äď diz respeito √† verdade da f√© professada, mas os estilos, os modos de presidir e de ser pastor devem ser muito diferentes, porque os dons do Senhor s√£o diferentes, e n√£o somente abundantes‚ÄĚ.

Para o te√≥logo, j√° √© tempo de os cat√≥licos compreenderem que ‚Äúo minist√©rio petrino assumido pelo Bispo de Roma √© no seu conte√ļdo sempre o mesmo ‚Äď confirmar na f√© os irm√£os e estar a servi√ßo da comunh√£o entre as Igrejas -, enquanto a forma deste minist√©rio, como mudou ao longo dos s√©culos, assim muda ainda, ali√°s, deve mudar, se entre as Igrejas houver uma converg√™ncia ecum√™nica em dire√ß√£o de uma comunh√£o vis√≠vel‚ÄĚ.

Na an√°lise, o te√≥logo sublinha que ocorreu uma mudan√ßa palp√°vel que foi acolhida com admira√ß√£o pela Igreja, ‚Äúpela novidade trazida pelo Papa Francisco no estilo de vida cotidiana; houve uma mudan√ßa na maneira de ensinar por parte do Papa‚ÄĚ e ‚Äúhouve uma promessa de renova√ß√£o do exerc√≠cio do minist√©rio petrino, atrav√©s do in√≠cio da reforma da c√ļria romana a qual, √†s v√©speras da ren√ļncia de Bento XVI, se encontrava em contradi√ß√£o com a car√°ter evang√©lico que √© exigida dela no estar a servi√ßo do sucessor de Pedro‚ÄĚ.

Enzo Bianchi observa que Papa Francisco n√£o √© um Papa te√≥logo, no sentido de uma teologia especulativa e doutrinal e nem √© exercitado na arte exeg√©tica da interpreta√ß√£o das Escrituras. No entanto ‚Äú√© exercitado no conhecimento e no assumir pensamentos e comportamentos que foram de Jesus‚ÄĚ. ‚ÄúMas de forma alguma ‚Äď faz a ressalva ‚Äď isto deve levar a pensar que ele n√£o tenha qualidade de te√≥logo: ele √© te√≥logo porque reza, √© te√≥logo porque conhece Cristo na escuta das Escrituras e na sua busca na face dos homens, nas periferias do mundo, nos caminhos que est√£o sempre abertos para aqueles que iniciam os caminhos, nas regi√Ķes infernais nas quais os homens √†s vezes caem e moram...‚ÄĚ. E isto emerge de toda a sua pessoa e de seu minist√©rio‚ÄĚ, ressalta Bianchi.

Francisco √© o primeiro Papa latino-americano da hist√≥ria da Igreja. E o fato de n√£o ser italiano, tamb√©m trouxe algumas novidades na maneira de expressar-se, maneiras estas observadas por Enzo Bianchi: ‚Äúsua linguagem √© muito direta, √†s vezes dura, por vezes pode parecer para algu√©m at√© mesmo rude, mas √© uma linguagem do cora√ß√£o, √© a linguagem do pastor que conhece as suas ovelhas, que as ama e divide com elas sua vida‚ÄĚ.

O fato de Papa Francisco ter anunciado uma 'Igreja pobre e para os pobres', gerou expectativas. Segundo Bianchi, uma ‚ÄėIgreja a servi√ßo e pobre‚Äô √© o primeiro ponto decisivo para a reforma da Igreja. Considerando que Bergoglio prov√©m de uma Igreja que elaborou a op√ß√£o preferencial pelos pobres - primeiros destinat√°rios por direito da Palavra de Deus -, ‚Äúele est√° habilitado a conduzir a Igreja a viver a pobreza evang√©lica‚ÄĚ. ‚ÄúOu a Igreja √© pobre ou n√£o est√° de acordo com o seu Senhor e assim, est√° em contradi√ß√£o com a encarna√ß√£o do Senhor, com o Deus-homem que √© Jesus Cristo, o √ļnico Senhor de todos‚ÄĚ, disse Bianchi.

Na sua an√°lise, o te√≥logo defende ainda a necessidade de uma Igreja sinodal, ‚Äúonde caminham juntos Papa, bispos, presb√≠teros, povo de Deus‚ÄĚ. O Conc√≠lio Vaticano II tra√ßou linhas que deram lugar √† 'eclesiologia de comunh√£o', ‚Äúmas a comunh√£o verdadeira, ordenada, eficaz ‚Äď sublinha Bianchi ‚Äď requer que o minist√©rio de quem preside seja exercido numa dimens√£o sinodal, em que todos sejam ouvidos, todos sejam sujeitos que tem direito √† palavra, onde todos s√£o chamados √† unidade, √† comunh√£o que pode ser dada pelo Esp√≠rito Santo, que mant√©m a pluralidade na unidade. E √© nesta dimens√£o sinodal que as Igrejas das periferias poder√£o fazer com que seja ouvida a sua voz e poder√£o confiar os seus progressos e o seu testemunho a quem √© encarregado do servi√ßo de comunh√£o entre as Igrejas e pela confirma√ß√£o desta unidade.

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