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Clima de desconfiança na campanha guineense

Terça, 19 Fevereiro 2019  vanda de carvalho

Cumpriu-se nesta Segunda-feira o terceiro dos 21 dias de campanha eleitoral para as legislativas de 10 de Março, uma campanha que se desenrola em clima de desconfiança apesar da administração eleitoral garantir que tudo está a decorrer normalmente. Alguns partidos apresentam dúvidas quanto à fiabilidade do processo enquanto a população e certas entidades questionam a origem dos meios em uso na campanha.

Os partidos levantam suspeitas em relação ao recenseamento dos eleitores. O PRS e o MADEM falam na alegada existência de cerca de 200 mil eleitores dos quais não se sabe ao certo de onde vieram, já que os seus dados não constam dos registos eleitorais. Os dois partidos acusam o GTAPE, Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral, de preparar-se para introduzir às escondidas "200 mil eleitores-fantasma" no banco de dados, sob ordens expressas do Primeiro-ministro, Aristides Gomes.

Ao procurar tranquilizar os partidos, Cristiano Na Betam, director-adjunto do GTAPE afirma, por sua vez, que não há "eleitores-fantasma" e ao admitir que houve alguns percalços com um pouco mais de 100 mil pessoas cujos dados não passaram automaticamente para o servidor central do GTAPE no momento da sua sincronização, este responsável indicou que a situação está a ser regularizada. De acordo com o director-adjunto do GTAPE, os dados que ficaram bloqueados foram retirados manualmente dos discos rígidos dos computadores e vão ser introduzidos no servidor central do GTAPE para constar de forma transparente do banco de dados.

Paralelamente, outra suspeição desta vez a nível da população e da autoridade de luta contra o branqueamento de capital, o CENTIF, prende-se com indícios de dinheiro ilícito na campanha eleitoral. Tanto o CENTIF como a população questionam a proveniência de tantos materiais e dinheiro em circulação na campanha dos partidos. Ainda na semana passada, o CENTIF considerou que o facto de os partidos na Guiné-Bissau beneficiarem de uma lei que os isenta de direitos alfandegários para os materiais de campanha eleitoral, pode favorecer a prática de branqueamento de capitais de proveniência ilícita.